História

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A origem de Vila Franca situa-se em tempos da pré-história. Atestam-no os vários monumentos megalíticos – antas ou dolmens – que ainda se encontram nas áreas circundantes.

Provavelmente tratou-se de uma povoação castreja, erguida sobre uma pequena colina, coberta de verdejantes prados, zonas de mato, e onde não faltavam os lameiros, indispensáveis à manutenção da população pastoril.

Comprova-se esta tese pela forma de construção de algumas casas do Cimo do Povo, em pedra rústica, umas sem reboco outras rebocadas a barro vermelho do Outeiro de Santa Margarida. Estas casas tinham uma única entrada ( porta ou janelo) virada para o pátio ou terreiro comum, de modo a facilitar a comunicação entre os moradores e a defesa dos ataques dos lobos, então muito frequentes.

núcleo de casas antigas

 

Com um passado que se conta por milhares de anos, o seu espólio arqueológico foi sendo destruído ao longo dos tempos. O último vestígio conhecido, um monumento megalítico existente no cabeço denominado arcainha ( local onde hoje se situa a Escola Primária) , deu lugar ( decerto por desconhecimento, do seu valor histórico ) à plantação de uma vinha, não deixando qualquer resquício da sua existência às gerações vindouras.

 VILA FRANCA

nome pelo qual foi conhecida aquando da sua compra, ( a vilãos- herdadores que então a povoavam), conjuntamente com o Ervedal, efectuada pela Rainha D. Dulce, mulher de D. Sancho I, em 1190 e que posteriormente as doou à Albergaria de Poiares.

Foi por este facto , nos séculos XIII/XIV , incluída na " Honra do Couto do Ervedal ".

Nesta época a Corte residia em Coimbra e julga-se que o seu Bispo, D. Martim Gonçalves, seria natural de Vila Franca, o que facilita compreender a razão desta compra pela Rainha.

 
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URRAIS

Aparece com esta denominação no Censo da População do Reino, mandado fazer por D. João III, em 1527. A povoação contava com 31 moradores, enquanto Oliveira do Hospital, por exemplo, contava 110 moradores.

O Vigário era a entidade a quem competia a atribuição, entre outras, dos nomes das povoações e fazia-o a seu belo prazer com inteiro desrespeito pelas regras já existentes. Assim, e ao longo das várias épocas, surgem nomes, alguns de duvidoso significado, que julgamos terem sido dados à nossa Terra. O Concílio de Trento (1545-1563) obrigou o uso de regras na atribuição de nomes.

Em 1606, Vila Franca passou do domínio do Mosteiro de Santa Cruz, para o poder da Universidade de Coimbra, até ao século XIX, época em que passou para a Coroa.

VILA FRANCA

Só em 1682, ficou com o nome definitivo de Vila Franca, devido à generosidade e nobreza dos seus habitantes, sempre hospitaleiros.

 

Na Idade Média os povos marcados por estas características adquiriam direitos ( franquias ) traduzidos alguns por isenção de pagamentos de dízimos eclesiásticos e à nobreza, assim como de impostos comerciais.

VILA FRANCA DO ERVEDAL DA BEIRA

Situada a 2,5 Km do Ervedal, Vila Franca que era " Terra de Ninguém " e " Livre " esteve, no entanto sempre ligada a esta freguesia desde a sua compra (cerca de 800 anos ). Daí a inclusão , no seu nome ,dos termos " do Ervedal da Beira ".

VILA FRANCA DA BEIRA

Em 12/09/1978, depois de várias manifestações da vontade popular, tornou-se onomasticamente individualizada, passando a ser tratada como Vila Franca da Beira, o que foi considerado pelas gentes da aldeia como um sinal de carta de pré-alforria.

 
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Muito ou quase tudo se deve, neste campo, ao saudoso. Dr. António Marques Frade.

A este ilustre filho desta Terra, que residia em Coimbra , onde movia as suas muitas influências, se devem também as melhorias efectuadas no que concerne a abastecimento de água em rede pública, a instalação de rede de esgotos, e a calcetamento de ruas, melhorias estas que devem ter contribuído em grande parte para a elevação de Vila Franca da Beira à categoria de freguesia, o que viria a verificar-se pela Lei 69/88 de 23 de Maio.

Imagem da Santa Margarida

A Santa da devoção do povo é a Santa Margarida. O início do seu culto e a edificação da sua primeira capela não têm data conhecida.

 

Em 1875, considerando o aumento da população, que rondava então os 900 habitantes, foi deliberada a construção de uma capela maior ( a actual) , tendo em 1888 ficado concluída a primeira fase (corpo e capela-mor). Dois anos mais tarde concluiu-se a obra da Tribuna, e em 2 de Fevereiro de 1891 procedeu-se à benção solene da Nova Capela, com dedicação à VIRGEM NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO.

Devido a dificuldades de vária ordem que o nosso país atravessou, na primeira metade do século XX verificou-se um grande surto de emigração para a América, Brasil e África (ex-colónias e Congos), que foi, durante a 2ª metade do mesmo século, direccionada fundamentalmente para a Europa, hoje dita comunitária.

Também aqui se deu o fenómeno da "desertificação", com a procura de melhor vida, na faixa do litoral do país. Nomeadamente para o Porto, Lisboa, Barreiro, etc.


No verão e em tempos festivos, os nossos emigrantes voltam para matar saudades dos seus familiares e amigos reanimando a nossa Vila, trazendo-lhe mais "vida" e alegria.

 
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Casa de granito - recuperada recentemente

Vila Franca da Beira está integrada numa zona rural. A agricultura, outrora ocupação habitual da maior parte dos habitantes da freguesia, ainda produz em abundância azeite, milho, batata, hortícolas, frutícolas e vinho de excelente qualidade e nome feito na Região Demarcada do Vinho do Dão.

Freguesia desde 1988.

Ver significado do brasão.

 

Bibliografia:

"Monografia de Vila Franca da Beira" de José Vicente;

"Origens - Monografia de Vila Franca da Beira" de Maria Ivete Fontes Borges Dinis;

"Da Realidade à Fantasia" / "Sofia - A Mãe Solteira" / "A Toutinegra do Moinho" - 1999 - de Ermelinda Silva.


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